IMPRENSA

BANCAS DE HORTIFRÚTI DO MERCADO MUNICIPAL DE CURITIBA ESCONDEM PREÇOS DOS PRODUTOS (Plural)

Por Felipe

Publicado em janeiro 3, 2026

Bancas de hortifrúti do Mercado Municipal de Curitiba escondem preços dos produtos

Reportagem do Plural flagrou desrespeito à Lei de Defesa do Consumidor; Procon vai se reunir na quinta-feira (24) com a prefeitura
Pela disposição dos estandes – alguns são usados apenas como armazéns, outros são cortados ao meio pelos corredores – a reportagem não conseguiu identificar o número exato de comerciantes que não observam a legislação, mas o descumprimento é flagrante. Quem frequenta o espaço, sabe que a falha não é pontual e pode ser observada até pelo tour virtual disponibilizado no site do próprio Mercado. Os poucos preços expostos são escritos à mão e, muitas vezes, escondidos entre um caixote e outro. Nos boxes que vendem outros produtos que não sejam frutas e verduras, a reportagem não encontrou irregularidades tão gritantes. Na semana passada, o Procon-SP passou a investigar os “golpes da fruta e da mortadela” no Mercado Municipal de São Paulo, após clientes terem denunciado a cobrança de preços abusivos em boxes de frutas e o uso de marcas de mortadela diferentes da anunciada para rechear o famoso sanduíche. Questionado pelo Plural sobre ações de fiscalização no espaço, o Procon-PR informou que não recebeu denúncias recentes sobre práticas abusivas no local como ocorreram no Mercadão de São Paulo, mas anunciou que se reunirá nesta quinta-feira (24) com a administração do Mercado Municipal e com a Prefeitura para que os comerciantes curitibanos sejam orientados a cumprirem a legislação sobre afixação de preços. Uma das hipóteses pelo desrespeito é que o setor de hortifrúti enfrenta alta rotatividade de produtos e variações constantes de preços. “As justificativas são inúmeras, mas o que não podemos aceitar é uma justificativa para simplesmente afastar a aplicação da lei. Se um dia o tomate custa 2 e outro dia custa 10, isso faz parte do negócio: é o ônus do bônus”, diz a coordenadora do Procon-PR, Cláudia Silvano. Inaugurado em 1958, o Mercado Municipal é um dos maiores centros de compra da capital. Cerca de 65 mil pessoas passam pelo local toda semana. Ao todo, tem 362 unidades comerciais, entre boxes e bancas, de frutas, verduras, alimentos frescos, especiarias, carnes, vinhos, queijos, cosméticos, decoração e vestuário, comandadas por 196 comerciantes que exploram o espaço por meio de concessões emitidas pela prefeitura. Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional afirmou que “reforçou a fiscalização, controle e as orientações aos comerciantes do Mercado Municipal em relação à exposição clara dos preços dos produtos” e que realizada “de maneira regular, um apurado controle de qualidade focado em ‘alimento seguro’, sendo o único mercado do gênero nas capitais a contar com uma sala específica para manipulação de produtos” para garantir segurança e qualidade para os consumidores.

O que diz a lei

A afixação de preços é regulamentada pelo Código do Consumidor, de 1990, e por outras duas leis federais – a de números 10.962, de 2004, e 14.181, de 2021 -, além da lei estadual 16.721, de 2010. As sanções vão da multa à prisão. “O Código do Consumidor diz que é crime fazer afirmação enganosa sobre o preço, com pena de detenção [de três meses a um ano]. Além disso se o Procon fiscalizar, vai aplicar multa”, explica Frederico Glitz, advogado especializado em Direito Contratual e Internacional. Além do Procon, a fiscalização cabe também a outros órgãos, como a superintendência do Mercado Municipal, o Ministério Público do Consumidor e delegacias especializadas da polícia. “Tem bastante gente podendo fiscalizar. O direito do consumidor é bastante pulverizado e o próprio consumidor pode fazer denúncia”, afirma o especialista.
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