{"id":6295,"date":"2018-05-29T16:59:45","date_gmt":"2018-05-29T16:59:45","guid":{"rendered":"https:\/\/glitzgondim.adv.br\/blog\/consumidor-pontualidade-e-cadastro-positivo\/"},"modified":"2026-01-04T21:32:50","modified_gmt":"2026-01-04T21:32:50","slug":"consumidor-pontualidade-e-cadastro-positivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/glitzgondim.adv.br\/en\/direito-do-consumidor\/consumidor-pontualidade-e-cadastro-positivo\/","title":{"rendered":"CONSUMIDOR, PONTUALIDADE e CADASTRO POSITIVO"},"content":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos dias, a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica vetou o Projeto de Lei que criava o cadastro positivo do consumidor pontual. Embora existissem in\u00fameros pontos para cr\u00edtica, o maior fundamento encontrado foi o da forma como seriam geridos os dados pessoais dos consumidores. O referido projeto foi prontamente substitu\u00eddo por outro texto que precisar\u00e1, agora, ser votado pelo Congresso Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem adentrar na pol\u00eamica em torno da conveni\u00eancia do instrumento adotado pelo Governo Federal, que nada tinha de urgente ou necess\u00e1rio, conv\u00e9m destacar outro ponto de choque que se avizinha: o debate em torno do princ\u00edpio da igualdade.<\/p>\n\n\n\n<p>O pouco debate que se p\u00f4de presenciar girou em torno da aus\u00eancia de tratamento equ\u00e2nime entre os consumidores que pagariam suas d\u00edvidas no vencimento (que poderiam receber tratamento mais ben\u00e9fico do mercado credit\u00edcio) e aqueles que n\u00e3o o fariam. Isso porque o texto do projeto mencionava, com base no cadastro, a an\u00e1lise do risco na concess\u00e3o do cr\u00e9dito (ou seja, juros menores para aquele com cr\u00e9dito melhor).<\/p>\n\n\n\n<p>Normalmente este racioc\u00ednio se baseia em uma leitura literal do princ\u00edpio constitucional da igualdade (\u201c<em>todos s\u00e3o iguais perante a lei<\/em>\u201d). Como se sabe, contudo, h\u00e1 algumas d\u00e9cadas, a suposta igualdade formal (como a insculpida nessa leitura literal) foi substitu\u00edda pela leitura material que busca dotar todos de um m\u00ednimo de igualdade de condi\u00e7\u00f5es, nem que para isso se fa\u00e7am concess\u00f5es ou interven\u00e7\u00f5es estatais. Os exemplos mais comuns desse tipo de atua\u00e7\u00e3o s\u00e3o os sistemas de quotas, os regimes tribut\u00e1rios diferenciados, os benef\u00edcios legais aos mais idosos ou portadores de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, o espa\u00e7o reservado em estacionamentos, a proibi\u00e7\u00e3o de fumo em ambientes fechados, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguramente, tamb\u00e9m, v\u00e1rios interesses individuais acabam sendo feridos, mas, por outro, n\u00e3o prevalece a situa\u00e7\u00e3o injusta de se esquecer concretamente onde o ser humano est\u00e1 inserido. Afinal, nem todos somos iguais (em um sentido n\u00e3o jur\u00eddico, frise-se!).<\/p>\n\n\n\n<p>Conv\u00e9m sempre se ter em mente que a l\u00f3gica de mercado \u00e9 baseada em c\u00e1lculo de risco. Assim, se o risco de n\u00e3o se receber pelo servi\u00e7o prestado ou cr\u00e9dito concedido for elevado, maior ser\u00e1 o valor ou os juros pagos pelo fornecimento. Neste sentido, portanto, a n\u00e3o distin\u00e7\u00e3o entre os consumidores que s\u00e3o pontuais e aqueles que n\u00e3o s\u00e3o acabam por impor aqueles o \u00f4nus destes. Dessa forma, hoje, quem paga o pre\u00e7o da alta taxa de inadimplemento n\u00e3o \u00e9 mau-pagador, mas o bom.<\/p>\n\n\n\n<p>Por certo alguns se insurgiriam alegando que seria ilegal a transfer\u00eancia dos riscos pr\u00f3prios do empres\u00e1rio ao consumidor. Por outro lado podemos nos perguntar, baseando-nos na teoria econ\u00f4mica, como s\u00e3o formados os pre\u00e7os? O risco n\u00e3o pode ser encarado como uma forma de custo? Esta \u00e9 uma discuss\u00e3o que n\u00e3o tem uma resposta satisfat\u00f3ria, at\u00e9 porque se levada \u00e0s \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias afasta o incentivo ao empreendedor.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro dado interessante \u00e9 que passado certo per\u00edodo, alguns desses cr\u00e9ditos s\u00e3o contabilizados como perdidos e, portanto, podem ser negociados a um valor menor com os devedores. Neste caso, no entanto, o consumidor que pagou sua d\u00edvida pontualmente se v\u00ea tratado n\u00e3o s\u00f3 desigualmente, mas, tamb\u00e9m, de forma mais onerosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Perceba-se, portanto, que o tratamento desigual j\u00e1 existe e n\u00e3o foi necess\u00e1ria a cria\u00e7\u00e3o de nenhum cadastro positivo para os implementar.\u00a0 Antes de politizar as rela\u00e7\u00f5es de consumo, adotando-se uma posi\u00e7\u00e3o de trincheira, conv\u00e9m lembrar que \u00e9 o pr\u00f3prio consumidor quem acaba pagando a fatura.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos dias, a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica vetou o Projeto de Lei que criava o cadastro positivo do consumidor pontual. 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